quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Se é pra começar, que seja já.

Esse blog é meu projeto de projeto de uma idéia sobre as possibilidades de desenvolver um pensamento filosófico sobre as Histórias em Quadrinhos.


Sobre as HQ's no Brasil? Não em princípio, mas se o pensamento for válido acho que uma das conseqüências será que sua validade abrangerá o universo das HQ's. A origem desse pensamento foi um texto em que vislumbrei a possibilidade de usar o discurso corrente nos meios ligados aos quadrinhos e ao cinema de que os personagens denominados mutantes, especificamente os X-Men, da editora americana Marvel Comics não seriam o sucesso que são e não assumiram as proporções que tem hoje apenas por serem uma metáfora para a adolescência. Mais do que isso, eles são a metáfora para a visão que os norte-americanos tem de si mesmos e do seu papel no mundo atual.


Como isso se desenvolve, a partir dos anos 60, quando foram criados por Stan Lee e Jack Kirby, até os nossos dias (lançamento do primeiro filme da franquia) e como entre outros produtos da cultura de massa norte-americana se tornam a idéia dominante dessas formas de cultura de massa.


O que visualizo como áreas a serem pensadas e desenvolvidas por mim para que possa levar a bom termo essa empreitada?
a. Definir o que entendo por Estética.
b. Levantar os pensadores relevantes para a minha tese.
b.a Que áreas do pensamento, além da estética deverão ser utilizados?
c...

insomnia

11 de agosto de 2010.

Insônia - Tenho que comprar o computador para poder trabalhar e isso me obrigará a ganhar R$.

Pensando: Arthur C. Danto, filósofo e crítico de arte do NYT - peguei um livro dele no Google Books.

Questões estéticas.

  • Quem determina o que é e o que não é Arte - isto não é importante para as HQs apenas para podermos dizer que elas são Arte mas porque é a partir daí que poderemos estudá-las dentro dos conceitos utilizados para estudar as Artes.
Quem determina se algo é Arte:
  1. O artista: Em que categoria de Arte ele quer ser inserido.
  2. O Crítico: Para qual publico ele fala - quem é seu público.
  3. O Público: Qual a classe social, o grupo social (ver/pesquisar - Sociologia).


Revendo:


1 - Quem é o artista, qual a sua formação, qual sua classe social ou grupo social, a que público pretende dirigir-se. O artista se encaixa dentro de um discurso teórico de arte. Se esse discurso é popular, naïve, elitista o que vai determinar é a teoria à qual ele filia-se - o artista pode nem estar ciente, ou como no caso do Bispo, que era louco, ele pode ser apreendido, incorporado ao discurso erudito...


2- O crítico também tem uma formação teórica e se encaixa em um nicho social determinado pelo seu público.


O crítico, mais que o artista, está, ou é dependente, dos meios de comunicação da classe social ou grupo social ao qual pertence - no século XX os críticos estiveram, por exemplo, ligados aos jornais e revistas especializados.


Existem críticos eruditos e críticos populares - como os que escrevem sobre artistas de praças e promovem salões acadêmicos pelo interior do país e pelo mundo afora.


A crítica, como instituição, depende de sua própria história e do seu "discurso" - a crítica tem de ser orgânica e única em seu desenvolvimento teórico - por isso o discurso de "fim da história" é tão determinante no "mundo da crítica contemporânea".


A crítica é a interface entre o artista e uma determinada classe ou grupo social de que ele depende.


Obs.: O artista só determina o que é ou não Arte - ele faz escolhas intelectuais e está consciente, sempre, do que faz e qual o seu papel.


Obs.: Acredito que o artista, quando se "descobre" (epifania - ver Campbell) quer se situar no mundo e em que classe de Arte se enquadra: popular, de massas ou erudito ou até se está fora de classes, grupos e mercados. Mas em qualquer classe ou grupo social o artista tem como característica ser um "indicador" das tendências da cultura na qual se insere e que ajuda a desenvolver e dar força.


Tendo dito isso:


O artista sempre sabe que é artista independente até de sua produção existir ou não.


Ser artista está acima de ser produtor de uma realidade.


Se a Arte do artista não precisa existir fisicamente então não depende dos meios de comunicação ou reprodução. O artista existe por si só.


A produção é o resultado visível de seu "estar no mundo".


O crítico não cria tendências artísticas, ele é um médium entre os artistas e o mundo e suas comunidades ou culturas.


O crítico está sempre um passo atrás, atrasado e o que reconhece como Arte é sempre passado do futuro e em alguns casos só muito mais tarde ele reconhecerá o trabalho de artistas que estavam muito à frente de seu tempo.


O crítico é um historiador do presente, ele só consegue reconhecer a Arte que está mais próxima a sua própria época. A Arte que avança muito no futuro passa desapercebida.


O artista é o Avatar de uma tendência social ou über social pois ele CRIA FATOS que geram tendências.


3. O público mantém os críticos e os artistas financeiramente - antigamente com o mecenato, hoje com o patrocínio e com o mercado.


Obs.: Artistas que tem mercado tem patrocínio embora o inverso não seja verdade (desenvolver).


Obs.: agora seria o momento de analisar as HQs por suas especificidades em relação à Arte mas, não mais como Arte individual.


Os quadrinhos como o cinema são artes associadas, sociais, há autores e não autor individual. Há um cérebro e uma mão, é um trabalho de conjunto/equipe.


Por isso é menos Arte?


A Arte erudita sempre foi elitista/sofisticada.


Sua desmaterialização faz parte deste processo.


A Arte conceitual/tecnológica dos dias de hoje é sinal dessa forma de espiritualização (ver Klee e Kandinsky).


Se houveram Deuses Astronautas eles eram artistas e não conquistadores ou comerciantes.




Osz.Winkelmann